Como qualquer novidade que apareça, por mais bem pensada, estudada que ela seja, sempre encontrará um grande número de pessoas que não são a favor da idéia. Não foi diferente com a simples idéia das cotas de carbono e do mercado dessa molécula.
O mercado de carbono (de créditos de carbono) é parte da MDL (Mecanismos para o Desenvolvimento Limpo). A idéia é simples: uma empresa pode emitir por ano x toneladas de carbono decorrentes das suas atividades. Contudo esta empresa consegue produzir eficientemente emitindo somente x - 5 toneladas de carbono por ano. Assim ela ganha 5 créditos de carbono que podem ser vendidos a uma outra empresa (internacional) que só consegue produzir a taxas satisfatórias se emitir x + 5 toneladas de carbono por ano. A idéia básica é que uma empresa cubra a poluição (POR CARBONO) de outra empresa, fazendo com que os países possam atingir àquelas metas dos protocolos do tipo Kyoto.
Muitas pessoas acreditam que este mercado não passe da venda do direito à poluição. Mas se pensarmos no total de carbono emitido no mundo, podemos chamar isto de uma iniciativa que permite manter taxas "aceitáveis" de poluição mantendo o "desenvolvimento". No fundo tudo depende do referencial de quem enxerga o problema.
Esta semana (14/02/2008) foi ressaltado as vantagens da regulamentação pela bolsa de valores da compra e venda de carbono. Segundo Guilherme Magalhães Fagundes, gerente de Produtos Ambientais e Metais da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), a transparência e da credibilidade das bolsas faz com que estas surjam como alternativa para este mercado em expansão. Além disso, favorece a negociação por preços mais justos.
Guilherme Fagundes apresentou também dados referentes à participação brasileira nesse mercado. O País é o terceiro em número de projetos aprovados no âmbito do MDL, com 264 (9% do total), atrás da China (33%) e da Índia (28%).
Os setores brasileiros que mais possuem projetos de redução, segundo informações do Ministério de Ciência e Tecnologia, são: Geração Elétrica, com 62%, Suinocultura, com 15% e, Aterros Sanitários, com 11%.
Adaptado de: AMCHAM Brasil 15/02/2008
A entrada das bolsas neste mercado facilita as coisas. Precisamos é ficar de olho nos espertinhos, muito comuns em países como o nosso. Já existem pessoas anunciando que por uma pequena mensalidade podem plantar árvores correspondentes à emissão de uma família ou empresa (de pequeno porte creio eu), assim a pessoa pode ficar com a consciência ambiental mais tranqüila...
No final salta-nos aos olhos a triste realidade de que a mídia guia as nossas vidas. Não faz muito tempo que vimos na TV séries de reportagens nos alertando do aquecimento global e todas as pessoas só pensam em CARBONO e efeito estufa. Esquecem facilmente que o problema ambiental que afeta os sistemas bióticos e abióticos do planeta não são só devido às emissões de carbono. Existem ainda diversos outros poluentes que atacam mais severamente a nossa saúde que são emitidos na queima de combustíveis fósseis, ou mesmo de toneladas de agrotóxicos despejados nos rios e mares, em fim, preocupa-se somente com uma pequena parte do todo, mas será que assim chegaremos a algum lugar?
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
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