terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Uma hipótese para o começo

Nesta edição da Nature saiu um artigo que me chamou a atenção. Não pela temática, mas por uma passagem do abstract que, logo que li, fervilhei de idéias. Logo abaixo segue o abstrac (original) e a minha viagem mental (também original).


Quem quiser traduzir o abstract, use o tradutor do google e polpem meu trabalho.


A photosynthetic alveolate closely related to apicomplexan parasites

Many parasitic Apicomplexa, such as Plasmodium falciparum, contain an unpigmented chloroplast remnant termed the apicoplast, which is a target for malaria treatment. However, no close relative of apicomplexans with a functional photosynthetic plastid has yet been described. Here we describe a newly cultured organism that has ultrastructural features typical for alveolates, is phylogenetically related to apicomplexans, and contains a photosynthetic plastid. The plastid is surrounded by four membranes, is pigmented by chlorophyll a, and uses the codon UGA to encode tryptophan in the psbA gene. This genetic feature has been found only in coccidian apicoplasts and various mitochondria. The UGA-Trp codon and phylogenies of plastid and nuclear ribosomal RNA genes indicate that the organism is the closest known photosynthetic relative to apicomplexan parasites and that its plastid shares an origin with the apicoplasts. The discovery of this organism provides a powerful model with which to study the evolution of parasitism in Apicomplexa.

Agora a viagem mental... será que é verdade?

Levando-se em conta a teoria da endosimbiose, ou algumas mitocondrias passaram por processo evolutivo já dentro dos organismos (gerando a linhagem que UGA-trp ou o contrário, gerando a linhagem que não é UGA-trp) ou então tiveram dois eventos de endosimbiose.
Imaginem só, uma vez que a característica afeta o código genético em si (o que requer uma gama de mytações que vão culminar na troca da metionina - original UGA - pelo triptofano. Além de mexer nas proteínas né... todas elas.) isso deve ter surgido muito, mas muito no início da vida não acham? Logo pode-se dizer que foram dois eventos de endosimbiose.
As vezes essa mutação foi tão no início, mas tão no início que a espécie UGA-trp ou a "normal" pode ter sido a segunda espécie do planeta!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Aquecimento global... como resolver?

Tão na moda quanto as modelos da São Paulo Fashion Week, o aquecimento global é um problema que preocupa muita gente, entendida ou não no assunto. A ameaça do efeito estufa e consequente aquecimento global é pauta de debates científicos desde século passado, mas foi só de 2007 para cá que a mídia realmente se deu conta do problema e resolveu fazer seu trabalho deixando as pessoas aterrorizadas.
Mês passado foi publicado na Geophysical Research Letters um uma nova alternativa para o problema. Segundo os cientistas, modelos de computador mostraram que a emissão de um spray de milhões de toneladas métricas de sulfato nas camadas superiores da atmosfera resolveria o problema. O conceito é o mesmo das erupções vulcânicas que emitem sulfato que bloqueia parte dos raios solares e consequentemente resfria o planeta.
O problema é que criar uma forma de esfriar o planeta retira o peso dos ombros de quem polui. Além disso, de onde iríamos tirar tanto sulfato (enxofre)? Será que este excesso de sulfato não poderia vir para as camadas mais baixas da atmosfera provocando chuva ácida? Não vamos "tapar o sol com a peneira."

Como já dito neste blog em post anteriores, as atenções se voltam todas para um só problema e esquecem todos de que o planeta é um grande ecosSISTEMA! Precisamos resolver sim o problema, mas sem gerar outros.

Uma forma: redução do consumismo desenfreado da sociedade em geral. Pois é este consumo exagerado de alimentos, materiais como papel, plástico metais e junto com ele o desperdício, que degrada o ambiente. Quase todo o produto que consumimos degrada o ambiente em mais de um ponto durante o seu ciclo de vida.
Peguem como exemplo uma embalagem plástica. Retira-se petróleo para sua fabricação (o que quer dizer que carbono que estava em uma fase de "estoque" do seu ciclo foi transportado para uma fase mais "dinâmica". Depois o plástico é feito (nem imagino quais resíduos são gerados neste processo, mas garanto que nada é biodegradável). Então precisamos imprimir uma logo ou qualquer coisa na embalagem pois o consumudor olha muito isto antes de comprar um produto, quanto mais colorida melhor (e é óbvio que as tintas geram resíduos, muito resíduo...). Está pronta sua embalagem, de agora em diante ela não irá mais degradar o ambiente, mas se transformará em lixo enchendo aterros e depósitos ou deixado na natureza causando danos à vida. Depois de muito tempo, a embalagem será toda degradada e os restos de polímeros e tintas ficarão alí, no local onde ela foi abandonada. Isso tudo sem contar as emissões industriais e de transporte da embalagem até a sua casa. O planeta paga caro não acha?
Quanto mais você consumir e desperdiçar, mais embalagens precisarão ser produzidas! Daí a importância de se reciclar e economizar... essas coisas que estamos cansados de escutar.

Outro dia ouvi uma frase interessante: "As pessoas compram o que não precisam, com o dinheiro que não têm, para impressionar quem não conhecem."

Nunca se esqueça de que tudo está interligado e daquela lei da física: "Toda ação gera uma reação..."

sábado, 16 de fevereiro de 2008

I Semana da Biologia Celular da UFMG

Será realizada de 3 a 7 de março, em Belo Horizonte, a 1ª Semana de Biologia Celular da UFMG, organizada pelos alunos de pós-graduação em Biologia Celular do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Serão discutidos temas importantes na área, entre os quais "Epigenética", "Células-Tronco" e "Metabolismo de lipídios", além serem divulgadas as linhas de pesquisa do Departamento de Morfologia do ICB.

O evento, que faz parte das comemorações dos 40 anos do ICB, também homenageará a neurobióloga Conceição Ribeiro da Silva Machado, professora emérita do ICB que faleceu em agosto do ano passado.

Mais informações: http://www.icb.ufmg.br/sbc2008/

Esta é uma iniciativa da Pós-Graduação de se aproximar da graduação, e nada poderia ser mais interessante! Até para aqueles que não trabalham com Biologia Celular (alguém que trabalha com biologia não trabalha com células?) é uma oportunidade ímpar, entrar em contato com pesquisas mais avançadas e ficar por dentro de temas super atuais e polêmicos!
Com certeza vou assistir o que tiver sobre Epigenética!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Cada vez mais independentes?

Segundo Malena Martelli, ex-diretora de Recursos Humanos da Unisys, os jovens de hoje precisam de um feedback como forma de motivação.

“Essa geração tem uma necessidade de motivação constante. O jovem é mais vaidoso, carece de estímulos e críticas freqüentes”
“A nova mão-de-obra é muito mais arrojada, tem um perfil extremamente pró-ativo e empreendedor. Se a liderança souber cativar, seduzir, a retenção tende a aumentar”

Então as empresas tendem a selecionar lideranças que consigam trabalhar com este perfil de pessoal.

Adaptado de: AMCHAM Brasil 15/02/2008

Comprando o direito de poluir?

Como qualquer novidade que apareça, por mais bem pensada, estudada que ela seja, sempre encontrará um grande número de pessoas que não são a favor da idéia. Não foi diferente com a simples idéia das cotas de carbono e do mercado dessa molécula.
O mercado de carbono (de créditos de carbono) é parte da MDL (Mecanismos para o Desenvolvimento Limpo). A idéia é simples: uma empresa pode emitir por ano x toneladas de carbono decorrentes das suas atividades. Contudo esta empresa consegue produzir eficientemente emitindo somente x - 5 toneladas de carbono por ano. Assim ela ganha 5 créditos de carbono que podem ser vendidos a uma outra empresa (internacional) que só consegue produzir a taxas satisfatórias se emitir x + 5 toneladas de carbono por ano. A idéia básica é que uma empresa cubra a poluição (POR CARBONO) de outra empresa, fazendo com que os países possam atingir àquelas metas dos protocolos do tipo Kyoto.
Muitas pessoas acreditam que este mercado não passe da venda do direito à poluição. Mas se pensarmos no total de carbono emitido no mundo, podemos chamar isto de uma iniciativa que permite manter taxas "aceitáveis" de poluição mantendo o "desenvolvimento". No fundo tudo depende do referencial de quem enxerga o problema.

Esta semana (14/02/2008) foi ressaltado as vantagens da regulamentação pela bolsa de valores da compra e venda de carbono. Segundo Guilherme Magalhães Fagundes, gerente de Produtos Ambientais e Metais da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), a transparência e da credibilidade das bolsas faz com que estas surjam como alternativa para este mercado em expansão. Além disso, favorece a negociação por preços mais justos.

Guilherme Fagundes apresentou também dados referentes à participação brasileira nesse mercado. O País é o terceiro em número de projetos aprovados no âmbito do MDL, com 264 (9% do total), atrás da China (33%) e da Índia (28%).
Os setores brasileiros que mais possuem projetos de redução, segundo informações do Ministério de Ciência e Tecnologia, são: Geração Elétrica, com 62%, Suinocultura, com 15% e, Aterros Sanitários, com 11%.

Adaptado de: AMCHAM Brasil 15/02/2008

A entrada das bolsas neste mercado facilita as coisas. Precisamos é ficar de olho nos espertinhos, muito comuns em países como o nosso. Já existem pessoas anunciando que por uma pequena mensalidade podem plantar árvores correspondentes à emissão de uma família ou empresa (de pequeno porte creio eu), assim a pessoa pode ficar com a consciência ambiental mais tranqüila...
No final salta-nos aos olhos a triste realidade de que a mídia guia as nossas vidas. Não faz muito tempo que vimos na TV séries de reportagens nos alertando do aquecimento global e todas as pessoas só pensam em CARBONO e efeito estufa. Esquecem facilmente que o problema ambiental que afeta os sistemas bióticos e abióticos do planeta não são só devido às emissões de carbono. Existem ainda diversos outros poluentes que atacam mais severamente a nossa saúde que são emitidos na queima de combustíveis fósseis, ou mesmo de toneladas de agrotóxicos despejados nos rios e mares, em fim, preocupa-se somente com uma pequena parte do todo, mas será que assim chegaremos a algum lugar?

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Tomando conta do pedaço.

Já virou chavão dizer que o homem, a partir da revolução industrial, começa a modificar seu ambiente a uma velocidade tamanha que logo ultrapassou os limites de “tamponamento” do planeta. Então meus caros, a coisa há muito degringolou. O planeta não “consegue” mais disfarçar as alterações feitas pelo homem, e começa a mostrar o triste produto do intenso desequilíbrio do intrincado sistema.

Contudo, mesmo com o chavão, como dizem, nas cabeças, ainda falta alguma coisa, para assumirmos que fomos longe demais.

Em vista do fatídico problema, resolvi iniciar meu blog comentando uma reportagem que saiu ontem, 14 de fevereiro na revista Science.

-- A notícia

Cientistas apresentaram na reunião anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência um mapa do estado dos oceanos do mundo. A notícia não foi das melhores (como esperado). O mapa combina 17 formas de impacto antrópico tais como:

  • Aquecimento da água devido à mudança climática induzida pelo homem.
  • Anéis de óleo que afetam o assoalho marinho.
  • Cinco diferentes tipos de pesca.
  • Efluentes e poluição nas costas oceânicas.

Os cientistas ainda não sabem o que realmente quer dizer a pontuação em termos de impacto real (mas é fácil ver pelo mapa que a situação não é das melhores).

A mensagem que estes cientistas deixam é de que devemos levar em conta que os efeitos são cumulativos.




ScienceNOW 14, Fevereiro de 2008


Fica fácil agora entender porque o título do post. O oceano aberto não é parte de nenhum país, e por isso fica tão fácil destruir. Não precisamos ir longe, basta olharmos para o patrimônio público brasileiro. Tudo aquilo que as pessoas têm a sensação de não ter dono, passa a ser tratado como se realmente não fosse de ninguém. Esquecem que estamos falando de um bem de todos.