quarta-feira, 23 de abril de 2008

Sou bonzinho, plantei uma árvore...

Quando estamos com uma febre comum, podemos tomar um comprimido de novalgina que os sintomas desaparecem... Contudo, não podemos tomar o mesmo comprimido de novalgina quando a febre é causada por dengue. A mesma lógica se aplica em diversas situações da nossa vida, uma coisa é boa em certo tipo de ambiente, mas ruim em outro tipo...

Bom, vamos ao que interessa...

A vegetação terrestre produz grandes quantidades de hidrocarbonetos e outros compostos orgânicos voláteis (VOC´s). O principal deles é o isopreno. O isopreno reduz a capacidade da atmosfera de se limpar de gases tóxicos. Assim, a presença de isopreno no ar intensifica os efeitos de poluentes tóxicos.
O isopreno reage com o radical *HO (diferente da hidroxila OH-). Este radical é presente no ar em pequenas concentrações, mas é responsável pela eliminação de diversos poluentes.

Os VOC´s possuem uma importante função ambiental. Alguns atraem polinizadores ou repelem predadores (herbívoros). Porém, a função do isopreno ainda não é conhecida, mesmo sendo o mais emitido pelas plantas terrestres.

Em ambientes não urbanizados, o isopreno é o principal consumidor de *HO.

Fica aí uma lição... sair plantando árvore não é sinal de recuperação ambiental. Existem outros fatores que fazem com que a ação não seja das melhores. Imagino que o isopreno na natureza não impactada não seja problema, pois alí os radicais *HO não têm tanto trabalho de limpeza da atmosfera como acontece nos locais poluidos. Não venha "tapar o Sol com a peneira" plantando árvores (eucalipto) e dizendo que ajuda para um ambiente saudável. Longe de mim ser contra o reflorestamento ou o plantio de árvores, mas acredito que ações de redução de emissões e do próprio consumo sejam muito mais positivas do que o simples plantio de árvore. Mesmo porque, um dia as árvores acabariam tomando conta do lugar sem precisar serem plantadas lá...
É muito mais barato e mais fácil para uma grande empresa, comprar uma área e enchê-la com árvores do que investir em tecnologias de minimização de emissões ou em processos produtivos mais "limpos". Mas será mesmo que é mais barato fazer assim?

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